Valor do frete marítimo China-Brasil em 2026: o que o índice SCFI mostra e como isso pesa no seu landed cost
Em 18 de setembro de 2026, o SCFI (Shanghai Containerized Freight Index), índice publicado toda sexta-feira pela Shanghai Shipping Exchange, registrou para a rota do Extremo Oriente à América do Sul (Santos) US$ 7.942 por contêiner de 40 pés e US$ 7.703 por contêiner de 20 pés. É o segundo recuo semanal seguido: a leitura mais alta das seis semanas que acompanhamos foi a de 4 de setembro, com US$ 9.616 por contêiner de 40 pés, e desde então o valor caiu cerca de 17%.
A queda não devolveu o frete ao patamar do início do ano. Em 27 de fevereiro, a mesma rota marcava US$ 1.622 por contêiner de 20 pés. Comparando o mesmo formato de contêiner, o valor de 18 de setembro é cerca de 4,7 vezes maior.
Esse número é uma referência de mercado à vista (spot), não a cotação que a sua carga vai pagar: ela depende do agente de carga, do porto, das sobretaxas e da janela de embarque. Por isso, este artigo mostra a série completa, explica por que os valores divergem entre as fontes e indica como o frete entra no custo real da importação.
Correção de 25 de setembro de 2026: a versão anterior deste artigo trazia faixas de agosto (US$ 4.200 a US$ 4.800 por contêiner de 40 pés) abaixo do que o SCFI registrou naquele mês, entre US$ 7.476 e US$ 9.438. Substituímos essas faixas pelas leituras do índice, com fonte em cada linha.
Quanto custa o frete marítimo da China para o Brasil: as leituras do SCFI
A tabela reúne as seis últimas leituras semanais da rota do Extremo Oriente à América do Sul (Santos). As datas são as sextas-feiras em que o índice foi divulgado.
| Divulgação (sexta-feira) | 20 pés (US$ por TEU) | 40 pés (US$ por FEU) | Variação semanal no 40 pés |
|---|---|---|---|
| 14/08/2026 | 7.119 | 7.476 | +US$ 854 (+12,9%) |
| 21/08/2026 | 7.805 | 8.181 | +US$ 705 (+9,4%) |
| 28/08/2026 | 8.663 | 9.438 | +US$ 1.257 (+15,4%) |
| 04/09/2026 | 8.953 | 9.616 | +US$ 178 (+1,9%) |
| 11/09/2026 | 8.555 | 8.927 | -US$ 689 (-7,2%) |
| 18/09/2026 | 7.703 | 7.942 | -US$ 985 (-11,0%) |
Fonte: SCFI, Shanghai Shipping Exchange, conforme publicado pela imprensa financeira de Taiwan (links na seção de fontes, todos em mandarim). Valores em dólares, mercado spot. As reportagens de agosto e setembro descrevem a rota como Extremo Oriente à América do Sul, e a de 27 de fevereiro cita Santos. A página da Shanghai Shipping Exchange não exibe os valores da rota sem assinatura, então a conferência foi feita na imprensa. Para comparação, em 27 de fevereiro de 2026 a rota marcava US$ 1.622 por contêiner de 20 pés.
Como ler esses números
TEU e FEU são as unidades de contêiner de 20 e de 40 pés. O SCFI publica a rota para Santos nos dois formatos, e a diferença entre eles é pequena: no período da tabela, o de 40 pés custou entre 3% e 9% mais que o de 20 pés.
O que o índice é e o que ele não é:
- É uma referência neutra e pública. É divulgado toda semana por uma bolsa de frete, não por quem vende o serviço.
- É frete spot. Mostra o preço de contratação à vista. Quem tem contrato anual com volume fechado paga de outra forma.
- Não é a sua cotação. Agentes de carga cotam por porto de destino, somam taxas de terminal e de documentação, e cada um monta a composição do seu jeito. Peça sempre a composição entre frete base e sobretaxas.
O que dizem outras fontes
Em 2 de setembro, a CNN Brasil publicou o relato de um sócio de empresa de logística segundo o qual o frete marítimo entre China e Brasil chegou à casa de US$ 10 mil, contra US$ 2 mil a US$ 3 mil em condições consideradas normais por ele. É a fala de um executivo, sem porto, tipo de contêiner ou data da cotação, e por isso não entra na tabela.
Em 3 de agosto, o jornal O Tempo citou a consultoria Solve Shipping: o contêiner de 40 pés saiu de cerca de US$ 1.500 em janeiro para algo entre US$ 7 mil e US$ 8 mil em junho, alta próxima de 400%. Os dois relatos apontam para a mesma ordem de grandeza do SCFI de agosto e setembro.
Por que os valores publicados não batem
Quando dois sites divulgam números diferentes para "o frete da China para o Brasil", quase sempre estão comparando coisas diferentes:
- Formato do contêiner. 20 pés (TEU) e 40 pés (FEU) têm preços distintos.
- Spot ou contrato. O preço à vista e o preço contratado seguem lógicas diferentes.
- Porto. A saída de portos diferentes da China e a chegada em Santos, Paranaguá, Itapoá ou Navegantes não custam o mesmo.
- O que está incluído. Frete base, sobretaxas de combustível e de temporada, taxas de terminal e documentação entram por fora ou por dentro conforme o agente.
- A data. Em seis semanas, o próprio SCFI variou entre US$ 7.476 e US$ 9.616 no contêiner de 40 pés.
Por isso, um número publicado em artigo envelhece em dias. O que não envelhece é o método: pedir cotação de mais de um agente para a mesma rota e a mesma janela, exigir a composição do valor e recalcular o custo de chegada com o número atualizado antes de fechar preço de venda.
Por que o frete subiu em 2026
As causas abaixo aparecem em reportagens com data e fonte identificada, e não há uma única explicação:
- Conflito no Oriente Médio. A reportagem do O Tempo de agosto atribui a alta ao conflito no Oriente Médio e cita a guerra entre Estados Unidos e Irã. Nosso artigo sobre o impacto da guerra entre EUA e Irã no frete detalha o efeito sobre rotas, seguro e combustível.
- Capacidade restrita. O boletim Ocean Freight Market Update, citado pelo O Tempo, indicava ocupação dos navios entre Ásia e América Latina próxima de 98%, o que reduz a folga das companhias marítimas.
- Demanda do mercado norte-americano. O especialista em comércio exterior ouvido pelo jornal, diretor da AGL Cargo, divide a explicação em duas partes: a guerra e a maior demanda dos Estados Unidos.
- Combustível. Mesmo em patamar alto, o combustível corresponde a cerca de 10% do frete, segundo a reportagem, e o petróleo sozinho não explica a alta de quase 400%.
- Cancelamento de escalas e tufão. Um sócio de empresa de logística ouvido pela CNN Brasil citou o cancelamento de escalas programadas (blank sailing) e um tufão que fechou portos de Xangai e Shenzhen, com acúmulo de mercadorias.
O que esperar até o fim do ano
O SCFI é um retrato semanal, não uma previsão. Ele caiu nas duas últimas leituras, mas a de 18 de setembro ainda é cerca de 4,7 vezes a de fevereiro no contêiner de 20 pés, e o especialista ouvido pelo O Tempo em agosto projetava frete entre US$ 7 mil e US$ 8 mil até meados de novembro, com queda progressiva depois e o conflito seguindo a pressionar os custos, em menor intensidade. A sazonalidade também pesa: segundo a mesma reportagem, as empresas compõem estoques nessa época para o volume de vendas do fim do ano.
Não há base para prometer queda nem nova alta. O que existe é uma decisão a tomar com o custo recalculado a cada semana, em vez de uma aposta na direção do frete.
Como o frete pesa no seu landed cost
O frete internacional é um dos componentes do landed cost, o custo real de uma importação até o produto chegar pronto para venda no Brasil. Em cargas de menor valor agregado por volume, como itens de plástico, ferragens ou peças, o frete pode representar uma fatia desproporcionalmente maior do custo total.
Exemplo ilustrativo, com valores hipotéticos: uma carga de US$ 30.000 no preço FOB, em um contêiner de 20 pés. Com o frete de 27 de fevereiro (US$ 1.622), o frete equivale a 5,4% do valor da mercadoria. Com o de 18 de setembro (US$ 7.703), equivale a 25,7%. Uma operação que fechou a planilha de custo com o frete do início do ano pode estar hoje com uma margem real muito menor do que a projetada.
O simulador de custo de importação refaz esse cálculo com a cotação que você tem em mãos, em três cenários.
Como proteger sua operação nesse cenário
Algumas práticas de mercado, sem fonte oficial que meça o efeito, podem reduzir o impacto da volatilidade. Consolidar embarques com outros importadores ou com o próprio fornecedor, quando o volume permite, tende a diluir o custo fixo do frete por unidade. Negociar contratos de frete com prazo mais longo com um armador ou agente de carga, em vez de comprar à vista a cada embarque, tende a reduzir a exposição a picos pontuais, embora não elimine a alta sazonal.
Planejar o estoque com antecedência também ajuda, porque quem precisa embarcar com urgência paga o preço do momento. E manter um agente de carga ou parceiro logístico com boa capilaridade de contratos junto aos armadores pode fazer diferença na cotação final, especialmente para importadores de médio porte que não têm volume para negociar diretamente.
Fontes consultadas em 25 de setembro de 2026
Os valores do SCFI foram lidos nas páginas originais abaixo, veículos de imprensa financeira de Taiwan que republicam o índice da Shanghai Shipping Exchange. Todas as páginas estão em mandarim.
- SCFI de 18/09/2026, Commercial Times (工商時報).
- SCFI de 11/09/2026, Wantrich (旺得富理財網).
- SCFI de 04/09/2026, Wantrich (旺得富理財網).
- SCFI de 28/08/2026, Commercial Times (工商時報).
- SCFI de 21/08/2026, Wantrich (旺得富理財網).
- SCFI de 14/08/2026, China Times (時報資訊).
- SCFI de 27/02/2026, ETtoday (ETtoday財經雲).
- Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), arts. 75 e 77, Planalto.
- Página do SCFI, Shanghai Shipping Exchange.
- Frete marítimo e tarifas pressionam comércio exterior brasileiro, CNN Brasil, 2 de setembro de 2026.
- Frete marítimo sobe 400% com guerra no Irã e oferta restrita, O Tempo, 3 de agosto de 2026.
Perguntas Frequentes sobre o frete marítimo China-Brasil
1. Quanto custa o frete marítimo da China para o Brasil hoje?
Na leitura de 18 de setembro de 2026, o SCFI para a rota do Extremo Oriente à América do Sul (Santos) ficou em US$ 7.942 por contêiner de 40 pés e US$ 7.703 por contêiner de 20 pés. É um índice de mercado à vista. A cotação da sua carga pode ficar acima ou abaixo, conforme agente, porto, sobretaxas e janela de embarque, então a referência serve para dimensionar, não para fechar preço.
2. O frete marítimo China-Brasil está subindo ou caindo?
Nas duas últimas leituras, caindo: o valor de 40 pés foi de US$ 9.616 em 4 de setembro para US$ 8.927 em 11 de setembro e US$ 7.942 em 18 de setembro, queda de cerca de 17%. Mesmo assim, segue cerca de 4,7 vezes o valor de 27 de fevereiro, medido no contêiner de 20 pés.
3. O que é o SCFI e por que ele serve de referência?
É o Shanghai Containerized Freight Index, índice de fretes de contêiner à vista divulgado toda semana pela Shanghai Shipping Exchange, com uma rota para Santos. Serve de referência por ser público e não vir de quem vende frete, mas não substitui a cotação de um agente para a sua carga.
4. Por que os valores de frete publicados por sites e agentes são diferentes?
Porque comparam coisas diferentes: contêiner de 20 ou de 40 pés, mercado à vista ou contrato, porto de origem e de destino, frete puro ou frete com taxas de terminal e documentação, e datas distintas. Em seis semanas, o próprio SCFI variou entre US$ 7.476 e US$ 9.616 no contêiner de 40 pés.
5. Por que o frete marítimo subiu tanto em 2026?
Segundo reportagens do O Tempo e da CNN Brasil, por uma combinação de fatores: o conflito entre Estados Unidos e Irã, a ocupação dos navios entre Ásia e América Latina perto de 98%, a maior demanda do mercado norte-americano, o custo do combustível (cerca de 10% do frete), o cancelamento de escalas e um tufão que fechou portos chineses.
6. Vale a pena esperar o frete cair para importar?
O índice caiu nas duas últimas semanas, mas isso não permite prever o que virá. Esperar também tem custo, como estoque parado e janela de venda perdida. O caminho mais seguro é recalcular o landed cost com a cotação da semana e decidir pela margem que sobra, em vez de apostar na direção do frete.
7. O frete marítimo entra no cálculo de quais tributos da importação?
O custo do transporte até o porto ou ponto alfandegado de entrada integra o valor aduaneiro, que é a base de cálculo do Imposto de Importação (Decreto 6.759/2009, arts. 75 e 77). Frete mais caro significa não só custo logístico maior, mas também Imposto de Importação calculado sobre uma base maior.
8. Importação LCL (carga consolidada) sofre o mesmo impacto que FCL (contêiner fechado)?
Sofre, mas de forma proporcional ao espaço ocupado. Para quem não tem volume para fechar um contêiner completo, a consolidação de carga costuma ser uma forma de diluir parte do impacto da alta, mesmo sem eliminá-lo.
Conclusão
O frete marítimo entre China e Brasil recuou nas duas últimas semanas, mas continua muito acima do patamar do início de 2026. Para quem importa, isso significa tratar o frete como uma variável que muda toda semana, e não como um número fixo na planilha de custos.
Quem recalcula o custo de chegada com a cotação atual, planeja embarques com antecedência e trabalha com um parceiro logístico bem posicionado tende a ficar menos exposto à volatilidade do que quem reage operação por operação.
Para simular o landed cost da sua importação considerando o frete atualizado, fale com a equipe da Flux Comex.
Este artigo faz parte do guia completo de importação da China, que cobre o ciclo inteiro, da habilitação no Siscomex ao desembaraço aduaneiro.
Conteúdo informativo, com base em leituras do SCFI até 18 de setembro de 2026 e em reportagens publicadas até 2 de setembro de 2026. Preços de frete variam por agente, porto, contrato e data. Para uma cotação real da sua operação, consulte um agente de carga ou a Flux Comex.
Precisa de orientação especializada?
A Flux Comex oferece análise personalizada e confidencial para sua operação. Resposta em até 48 horas.
Sobre o autor
Equipe Flux Comex
A Flux Comex é uma consultoria de importação com base em Zhongshan, na China, e operação voltada ao importador brasileiro. Nossa equipe atua em sourcing, auditoria de fábrica, controle de qualidade e estruturação de custos de importação, com mais de 400 projetos acompanhados. Os artigos deste blog são escritos e revisados internamente, a partir da rotina de operação e da legislação vigente.
Conteúdo informativo. Regras e procedimentos podem mudar. Para decisões operacionais, valide com especialistas e normativos vigentes.
